terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente,

Y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
E me ouves de longe e minha voz não te toca.

Parece que los ojos se te hubieran volado
Parece que os olhos tivessem voado de ti

Y parece que un beso te cerrara la boca.
E parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
Como todas as coisas estão cheias de minha alma

Emerges de las cosas, llena del alma mía.
Emerge das coisas, cheia de minha alma.


Mariposa del sueño, te pareces a mi alma,
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,

Y te pareces a la palabra melancolía.
E te pareces com a palavra melancolia.


Me gustas cuando callas y estás como distante.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.

Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
E estás como que queixando-te, borboleta em arrulho.

Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
E me ouves de longe e minha voz não te alcança:

Déjame que me calle con el silencio tuyo.
Deixa que me cale com o teu silêncio.

Déjame que te hable también con tu silencio
Deixa que tambem te fale com o teu silêncio

Claro como una lámpara, simple como un anillo.
Claro como uma lâmpada, simples como um anel.

Eres como la noche, callada y constelada.
És como a noite, calada e constelada.


Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.

Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.

Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Uma palavra então, um sorriso bastam.

Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.



Pablo Neruda
20 poemas de amor e uma canção desesperada, 1980.

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