quarta-feira, 3 de março de 2010

DIAGNOSTICO

Flui iníquo límpido refugio dos sonhos e lágrimas.
Cabê-la-ia à distância fugas do breve sorriso?
-Sim!
Entorpece os sentidos, doce veneno que drena o mundo.
Reincide, recorre, persegue.
Silêncio perturbador, tremor, a libido; mecanismo desconhecido do desejo explode em sensações, aflora às inversas palavras da razão.
Impulsiona a máquina que bate em desconserto, enquanto a retina grava a imagem do desejo.
O veneno percorre o corpo febril.
Nada mas há de se fazer, o diagnosticado e irrevogável, é paixão!
Febre que arde sem arder, corpo que sente sem sentir.




ELLEN OGATH

Cotidiano

As coisas da vida me causam estranhezas, por menores ou maiores que sejam, me causam estranhezas.
Aprendi desde cedo que o mundo não gira em torno de nossas vontades, mas se ficarmos parados, nossas vontades e desejos deixam de existir; então e só então, entendemos que é preciso correr em busca de nossos sonhos e ideais, mesmo que o mundo não venha a girar a favor deles, pois nossos sonhos por muitas vezes se limitam a nossa superfície. Explodir em estilhaços nosso espelho de vícios é possível ver o outro antes de si próprio?
Talvez não seja possível, mas é imaginável, como tudo que existe, persiste em nos provar o contrário, me permito o sarcasmo do agora.
Pus – me a sair e sem demora, lá estava eu, pronta para ser um alguém estilhaçado.
Olhei um senhor que vinha em minha direção, então muito sorridente, lhe disse:
Bom dia!
Hora penso eu, sou capaz de transmitir ao meu próximo não tão próximo assim, aliás, desconhecido por mim, mas próximo por sermos da mesma espécie, enfim, confuso pensar assim, por instinto natural como um animal que é incapaz de matar um outro animal da espécie, mas voltando ao que eu estava dizendo. Para minha surpresa o velhote vira - se para mim com um sorriso não tão belo assim e me diz:
- Gostosa!
Caí por terra, tão rápido esse meu desejo de estilhaço, pois bem, sou o que sou, sou o eu no outro e em mim, sou a linha que percorre o tecido, sou a agulha que alfineta o outro e no outro reflito o arremate do encontro casual, de palavras e intenções distintas.
Agora diferente de outrora penso que sou eu o centro do cosmos e assim sigo enfrente.
Entro naquela conhecida condução que me leva e traz todos os dias, sinto que tenho razão, estamos numa selva, somos animais diferentes; eu temo o outro e assim vejo que o outro também teme a mim, pois não somos de espécies diferentes, mas temos características distintas que nos fazem únicos, e, portanto diferentes.
E quando tudo estava novamente no mesmo lugar, no exato eixo do desconcerto humano, das idéias normais, comportamentais, deste vai e vem de intolerância e falta de respeito, vem na minha direção um senhor, e sorrindo me diz bom dia, fiquei perplexa e rapidamente respondi bom dia!
A vida me é estranha e por muitas vezes me é surpreendente, porque mesmo no estilhaço de espelho é possível vermos nossa imagem refletida e o reflexo dessa imagem é parte de nossa postura para com o outro e para conosco, afinal, você pode dizer bom dia e esperar a mesma retribuição ou não, mas se você optar simplesmente por nunca dizer bom dia, terá sempre à certeza da incerteza do silêncio que nos causa duvida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

BREVE DIVAGAÇÃO

Despertei de mais um sonho. Entre as quimeras de minha infância e as lembranças de meu futuro percebi-me abrindo os olhos e avistando o meu quotidiano imutável.

Lutei cansavelmente comigo mesmo; em meio a um campo de lençóis e travesseiros levantei-me vitorioso, rendi-me derrotado. Caminhei os poucos passos que meu limitado espaço me permitia e me pus diante do espelho. Vi o reflexo de um estranho há muito tempo conhecido. Meus olhos fixaram-se em seus olhos. Por um momento acreditei que partilhassemos dos mesmos traços, das mesmas marcas deixadas pelo tempo, no entanto, as formas foram embaralhando-se e perdido acabei por desistir de querer vê-lo.

Abri a porta. Caminhei. Sobre passos trôpegos do sono ainda presente conduzi-me a descer as escadas. Não lembro a sensação de tal movimento, da descida constante de minhas memórias. Avistei um tênue fio dourado a desprender-se de alguma parte minha. Tentei segurá-lo. Quis levianamente abraçá-lo, recompô-lo em mim, sem sucesso algum.

Sentei nos degraus. Estacionei minha descida e imergi em minha inconsciência. Flashs esfocavam diante de mim. Cenas difusas eram-me apresentadas de maneira tão complexa que mal pude reconhecer-me como protagonista da trama. Talvez realmente nunca tivesse sido o protagonista. Sim, não sou protagonista! Sou o antagonista!

Reclinei a cabeça. Tive vontade de chorar para dentro da alma. Chorar por fora é fácil, qualquer um pode fazê-lo. Conter o choro e derramá-lo dentro de si mesmo requer maior habilidade, maior sofrimento.

Levantei. Não posso me dar ao luxo de estar contemplativo. Preciso aprontar-me. É necessário que eu vá trabalhar. Lavos o rosto. Escovo os dentes. Separo a roupa que melhor me traduza neste dia. Quero a monocromia, ela combinará bem com o hoje. Penteio o cabelo, me perfumo. Eis um ultimo olhar de relance no espelho. Estou pronto.

Saí para a rua. O dia está um calor só. Um ar morno e calorento vem afrontar o meu rosto. Ando por ruas, atravesso avenidas, desvio-me de carros e motos. Vejo rostos tão sem vida a minha volta. Começo a prestar atenção ao meu redor. Pessoas tristes. Almas cansadas. Porém vejo também aqueles que estão alegres, joviais e cheios de vida.

Cheguei ao trabalho. A rotina me aguarda. Cumprimentos e muitos "bons dias" distribuidos automaticamente.

Entrei em minha sala. Está abafada, sufocante de calor. Estou novamente preso neste cômodo inerte. Sinto-me a palmilhar algum espaço vazio. Estou novamente atado...

Desisti. Cansei da luta. Estou exausto do esforço desmedido de ser quem eu sou. Ser sem reflexo. Ser sem lembranças. Ser sem memórias. Ser esquecido por um mundo inexistente, solto por entre as páginas desta narrativa sem sentido que muitos chamam vida.

Não quero uma vida de existência.

Não quero encontrar respostas para minhas indagações.

Quero dormir...

Sinto falta de meus lençóis e travesseiros. Do aconchego do emaranhando dos meus pensamentos adormecidos.

Este calor me sufoca!

http://mesotropo.blogspot.com


Me aproprio de suas palavras para reiterar suas ideias, ideias essas que perspassam a mente de todos aqueles que, fartos de utilizarem máscaras, vestem personagens para sobreviverem ao calor sufocante que é viver em sociedade...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Pequeno Príncipe e a Raposa



E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

"ASPAS"

LUTAR COM PALAVRAS É A LUTA MAIS VÃ, ENTANTO LUTAMOS MAL ROMPE A MANHÃ

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estação 330


Quando eu estiver velho e não puder mais caminhar sozinho, segure minha mão.
Sentirei o sibilar do vento ao entardecer.
Presságios de que nada irá mudar entre eu e você.
Bolhas de sabão desprendem-se ao vento criando um belo arco-íres circundar.
Fecho meus olhos e o meu coração desperta para esta senda.
Um céu estrelado, um lugar qualquer, uma canção.

Breve... Tão breve!
É o sorriso da esperança.

Flores cobrem meus sonhos.
Realidade, difusão.

Você esboça um tímido sorriso amarelo.
Sua mão não segura mais a minha

Sinto frio, tenho medo.
Ao longe escuto uma canção

Na vitrola, a agulha no disco encontra seu fim.
Interrope a melodia, escorre pelos vãos dos dedos a vida, que finda!
O coração não pulsa ...
Não pulsa .......
Não Pulsa ..........................................
.
A recordação agora, nunca mais, eu irei lembrar.
Canções, imagens, família, amigos, engavetados no jazigo da memória 330.


Ellen Ogath

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Oficina de criação infanto-juvenil "Quem conta um conto", ministrada por Manuel Filho na Biblioteca Monteiro Lobato em SBC - Junho de 2009

Vida de Formiga


É, a vida de formiga não é fácil! Isso tudo mundo já sabe, mas você deve achar que é porque trabalhamos demais. Nada disso, trabalhar é moleza, faz parte da nossa característica de inseto. O pior mesmo é fugir do nosso grande inimigo: o homem. Sim, isso mesmo, o ser humano é muito pior que um tamanduá! Vou te contar uma das minhas aventuras e você me diz o que achou. Vamos lá?

Como é nosso costume e necessidade sair em busca de alimento, mais uma vez estava eu lá, buscando a nossa tão preciosa comida. Seguindo os rastros das irmãs formigas que andaram antes de mim, saí do ninho, lar doce lar, e avancei rumo ao desconhecido, porque embora faça o mesmo caminho todos os dias eu nunca sei o que irei encontrar pela frente, cada jornada de trabalho é uma nova descoberta.

Bom, fui andando, andando e isso me deixou com uma baita fome. Tinha que ultrapassar vários obstáculos como descer pelas paredes de uma casa dos humanos, já que nosso ninho fica no fundo de uma abertura da parede dessa casa e atravessar um longo caminho: o que eles chamam de quintal, e o deles é reto e gelado, pois minhas amigas formigas me disseram que há quintais com mato, grama na verdade. Eu moro na civilização onde há casas e pessoas. É bem mais perigoso que morar na floresta. O meu antigo ninho ficava em um bosque, que é um pouco menor que uma floresta. Morei lá quando ainda era um filhotinho com toda a família, mas a nossa casa foi transformada em uma fábrica de móveis e todo o ninho teve que se mudar. Enquanto lembrava tudo isso a barriga doeu de fome então, pra distrair, comecei a cantar uma música que minha amiga cigarra ensinou, foi quando eu vi...

Na verdade não vi, mas minhas antenas presenciaram algo maravilhoso, fantástico, sublime! Sem chance de errar... Bolo de chocolate, o meu preferido! Claro que eu iria aproveitar essa grande oportunidade. Você não imagina a quantidade de farelo que solta desse tipo de bolo. Alimenta o formigueiro inteiro! Mas como tudo na vida de uma formiga é difícil, o bolo estava lá dentro da casa dos humanos, aiaiai. E assim começa minha aventura.

Cheia de coragem avancei e entrei na casa. A distância entre eu e o bolo era enorme! Precisava de ajuda porque ele foi colocado lá no alto, no que os humanos chamam de mesa. Essa mesa é uma placa reta e está deitada, apoiada por quatro patas, ou melhor, pés que a tiram do chão. Eu não sei para que ela serve mas já vi muitas e elas estão sempre cheias de coisas gostosas para nós formigas transformarmos em alimento.Seria a primeira vez que iria me arriscar tanto a subir em uma mesa!

Para alcançar o bolo eu deveria subir em um dos pés até chegar ao topo da mesa e assim o fiz. Subi, subi e quando cheguei lá no alto eu precisaria pular, pois só assim sairia do pé da mesa que está na vertical e cairia direto na mesa (e chegaria até o bolo!) que está na horizontal, deitada. Entretanto, nós, formigas não temos um bom salto. Conseguimos claro, mas não é a nossa especialidade. Tentei pegar uns truques com a pulga, mas ela é bastante impaciente.

Tudo bem, lá vou eu... O que não faço por um bolo de chocolate! Zapt pulei! Ai meus Deus, onde eu estava? Ah, as minhas antenas me avisaram, estava bem perto do bolo. Huuuummmm... Melhor andar logo, pensei, o caminho de volta é longo... Quando comecei a escolher o meu pedaço, o maior, é claro, senti que algo se aproximava... Era uma mão humana! Eu já sabia, eles queriam me matar, é sempre assim! Mas não podem fazer isso com uma pobre formiguinha só por gostar de bolo!

Sabia que isso iria acabar mal, então fugi, não sou boba. O que eu não sabia é que eles tinham uma arma secreta: um spray de veneno! A essa altura o bolo já estava longe de mim, porque eles tiraram, mas fazer o quê?! Não peguei nem um pedacinho... Só que não era hora pra chorar, era preciso correr, pois veneno é fatal. Corri por toda a mesa e ainda assim podia ouvir o barulho do spray vindo em minha direção. Quando cheguei até a pontinha da mesa percebi que o único jeito de fugir era voltar pelo mesmo caminho por onde vim: o pé da mesa. E lá vou eu pular novamente. Desci com medo de ser pega, mas no momento em que tudo pareceu ficar silencioso, saí do pé da mesa e andei o mais rápido que pude até o quintal.

Ufa, ao menos escapei viva, mas também não comi o bolo, droga! Agora vou ter que voltar sem bolo, sem comida, sem nada. Mas no caminho para casa encontrei minhas irmãs formigas. Contei a elas a minha aventura e elas me consolaram. A família é tudo não é verdade?! Elas me deram um pouco do que encontraram, comi pensando no bolo. O que elas traziam, levamos para a Rainha formiga, nossa mãe. Bom, coisas assim acontecem todos os dias pra nós formigas, mas eu só queria ter comido o bolo! Eu disse que o ser humano é nosso grande inimigo. Não sei se isso vai mudar um dia, mas por enquanto vou tentando escapar como posso...