sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Oficina de criação infanto-juvenil "Quem conta um conto", ministrada por Manuel Filho na Biblioteca Monteiro Lobato em SBC - Junho de 2009

Vida de Formiga


É, a vida de formiga não é fácil! Isso tudo mundo já sabe, mas você deve achar que é porque trabalhamos demais. Nada disso, trabalhar é moleza, faz parte da nossa característica de inseto. O pior mesmo é fugir do nosso grande inimigo: o homem. Sim, isso mesmo, o ser humano é muito pior que um tamanduá! Vou te contar uma das minhas aventuras e você me diz o que achou. Vamos lá?

Como é nosso costume e necessidade sair em busca de alimento, mais uma vez estava eu lá, buscando a nossa tão preciosa comida. Seguindo os rastros das irmãs formigas que andaram antes de mim, saí do ninho, lar doce lar, e avancei rumo ao desconhecido, porque embora faça o mesmo caminho todos os dias eu nunca sei o que irei encontrar pela frente, cada jornada de trabalho é uma nova descoberta.

Bom, fui andando, andando e isso me deixou com uma baita fome. Tinha que ultrapassar vários obstáculos como descer pelas paredes de uma casa dos humanos, já que nosso ninho fica no fundo de uma abertura da parede dessa casa e atravessar um longo caminho: o que eles chamam de quintal, e o deles é reto e gelado, pois minhas amigas formigas me disseram que há quintais com mato, grama na verdade. Eu moro na civilização onde há casas e pessoas. É bem mais perigoso que morar na floresta. O meu antigo ninho ficava em um bosque, que é um pouco menor que uma floresta. Morei lá quando ainda era um filhotinho com toda a família, mas a nossa casa foi transformada em uma fábrica de móveis e todo o ninho teve que se mudar. Enquanto lembrava tudo isso a barriga doeu de fome então, pra distrair, comecei a cantar uma música que minha amiga cigarra ensinou, foi quando eu vi...

Na verdade não vi, mas minhas antenas presenciaram algo maravilhoso, fantástico, sublime! Sem chance de errar... Bolo de chocolate, o meu preferido! Claro que eu iria aproveitar essa grande oportunidade. Você não imagina a quantidade de farelo que solta desse tipo de bolo. Alimenta o formigueiro inteiro! Mas como tudo na vida de uma formiga é difícil, o bolo estava lá dentro da casa dos humanos, aiaiai. E assim começa minha aventura.

Cheia de coragem avancei e entrei na casa. A distância entre eu e o bolo era enorme! Precisava de ajuda porque ele foi colocado lá no alto, no que os humanos chamam de mesa. Essa mesa é uma placa reta e está deitada, apoiada por quatro patas, ou melhor, pés que a tiram do chão. Eu não sei para que ela serve mas já vi muitas e elas estão sempre cheias de coisas gostosas para nós formigas transformarmos em alimento.Seria a primeira vez que iria me arriscar tanto a subir em uma mesa!

Para alcançar o bolo eu deveria subir em um dos pés até chegar ao topo da mesa e assim o fiz. Subi, subi e quando cheguei lá no alto eu precisaria pular, pois só assim sairia do pé da mesa que está na vertical e cairia direto na mesa (e chegaria até o bolo!) que está na horizontal, deitada. Entretanto, nós, formigas não temos um bom salto. Conseguimos claro, mas não é a nossa especialidade. Tentei pegar uns truques com a pulga, mas ela é bastante impaciente.

Tudo bem, lá vou eu... O que não faço por um bolo de chocolate! Zapt pulei! Ai meus Deus, onde eu estava? Ah, as minhas antenas me avisaram, estava bem perto do bolo. Huuuummmm... Melhor andar logo, pensei, o caminho de volta é longo... Quando comecei a escolher o meu pedaço, o maior, é claro, senti que algo se aproximava... Era uma mão humana! Eu já sabia, eles queriam me matar, é sempre assim! Mas não podem fazer isso com uma pobre formiguinha só por gostar de bolo!

Sabia que isso iria acabar mal, então fugi, não sou boba. O que eu não sabia é que eles tinham uma arma secreta: um spray de veneno! A essa altura o bolo já estava longe de mim, porque eles tiraram, mas fazer o quê?! Não peguei nem um pedacinho... Só que não era hora pra chorar, era preciso correr, pois veneno é fatal. Corri por toda a mesa e ainda assim podia ouvir o barulho do spray vindo em minha direção. Quando cheguei até a pontinha da mesa percebi que o único jeito de fugir era voltar pelo mesmo caminho por onde vim: o pé da mesa. E lá vou eu pular novamente. Desci com medo de ser pega, mas no momento em que tudo pareceu ficar silencioso, saí do pé da mesa e andei o mais rápido que pude até o quintal.

Ufa, ao menos escapei viva, mas também não comi o bolo, droga! Agora vou ter que voltar sem bolo, sem comida, sem nada. Mas no caminho para casa encontrei minhas irmãs formigas. Contei a elas a minha aventura e elas me consolaram. A família é tudo não é verdade?! Elas me deram um pouco do que encontraram, comi pensando no bolo. O que elas traziam, levamos para a Rainha formiga, nossa mãe. Bom, coisas assim acontecem todos os dias pra nós formigas, mas eu só queria ter comido o bolo! Eu disse que o ser humano é nosso grande inimigo. Não sei se isso vai mudar um dia, mas por enquanto vou tentando escapar como posso...

2 comentários:

  1. Adoooreeeiiii esse conto. Você deve publicar mais textos que você escreve.

    bjooosss

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  2. Que lindo amiga, tenho um conto seu também, peço autorização para postar...bjus mas não pretendo colocar minhas histórias, estão amadurecendo ainda

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