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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Só mais um café

Se cerrar os olhos bastasse

Para não mais enxergar-te

Mais e o Ballet de sombras pela fresta da porta?

As vozes aacendem luzes, cegado posso senti-las.

Atordoado no labirinto onde tento das lembranças escapar

Embriagado de Kerouac, jazz e café

Saberia onde estava o cinzeiro até dez minutos atrás

Em algum lugar onde meus pés tocariam jamais

Minha infinita ausência estará ela a cantar

Guardando em seus lábios o beijo que jamais lhe dei

Em outro cenário que não o de sua metafísica imaginação

Contando os dias no mês de abril enquanto falava-me

A respeito de Rimbaud, Lispector, Caio F. e Ramil

Hoje eu lhe falaria de Wynona, Kubrick e Tarantino

E com certeza para ti isso sorria tão agressivo

Sem pudor algum, seria o assunto das conversas imaginárias

Do diálogo de pensamentos distantes de mãos dadas

Com o que selamos nosso destino não juntos

Ao suicidarmos nossas chances de semelhantes rumos

Em algum dia de não inverno, restando-me senso nenhum

Caminho ou direção, onde tudo se resume a uma metáfora

Minha vida transformada em uma bússola quebrada.


Luís- CoffeeBoy


http://coffeeboylivinginacup.blogspot.com

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

"ASPAS"

VAIS ENCONTRAR O MUNDO (...) CORAGEM PARA A LUTA.

Raul Pompéia, O Ateneu.

EM TEMPOS DE APAGÃO...

Mais uma vez começa a temporada nacional de prevenção à falta de luz!
Talvez a produção em grande escala de lampiões e lanternas seja a solução mais adequada para um país que ostenta grandeza administrativa em meio a sua pobreza de planejamento administrativo.
O caos provocado pelo apagão mais recente só vem a pôr novamente em evidência os problemas que haviam sido postos de lado. De quem será a culpa? Da natureza que não cooperou com sua “boa vontade”? Das condições climáticas e planetárias que influenciaram de maneira infame para o grande blackout? Talvez das condições físicas da maior hidrelétrica da América Latina? Eis o grande dilema...
Todos procuram seu culpado preferido. Esta sempre foi a ânsia humana, encontrar uma justificativa plausível para tudo.


http://mesotropo.blogspot.com
Transfere o teu abraço para o meu peito
O teu grito livre para o meu grito oprimido.
O que tu faz de bom para o meu mal feito
O teu olhar inocente para o meu olha bandido.

Transfere o teu sorriso para o meu lamento
Tua felicidade para a minha tristeza.
Teu bem comum para o meu sofrimento
Tua coragem para as minhas fraquezas.

Transfere o teu cafezinho para o meu leite
Teu queijo e manteiga para o meu pão.
O teu creme colorido par o meu sorvete
Tuas panelas vazias para o meu fogão.

Transfere teu amor para o meu coração
O cheiro do teu suor para o meu corpo.
Tua alegria positiva para a minha solidão
Transfere mais, porque isso é tão pouco!

Transfere o teu sabonete para o meu banheiro
Tua vida amorosa para a minha que não ama.
O teu fofinho e perfumado travesseiro
Para o lado que está vazio na minha cama.

José Alfredo dos Santos (Zeca)

OUVIR ESTRELAS - INTERTEXTOS

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! " E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?

" E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac

Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
Que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
Que mais eu gozo se escabroso é o tema.
Uma boca de estrela dando beijo
É, meu amigo, assunto pra um poema.

Direis agora: — Mas enfim, meu caro,
As estrelas que dizem? que sentido
Têm suas frases de sabor tão raro?

— Amigo, aprende inglês para entendê-las,
Pois só sabendo inglês se tem ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Bastos Tigre

UVI STRELLA

Che scuitá strella, né meia strella!
Vucê stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p'ra iscuitalas moltas veiz livanto,
I vô dá una spiada na gianella.

I passo as notte acunversáno co'ella,
Inguanto che as otra lá d'un cantoStó mi spiano.
I o sol come un briglianto
Nasce. Oglio p'ru céu: — Cadê strella?!

Direis intó: — Ó migno inlustre amigo!
O chi é chi as strellas ti dizia
Quano illas viéro acunversá contigo?

E io ti diró: — Studi p'ra intendela,
Pois só chi giá studô Astrolomia,
É capaiz de intendê istas strella.

Juó Bananére

"ASPAS"

A VIDA É UMA PIPOCA QUENTE. O SAL FICA POR SUA CONTA.

Xida Dantas

ÁGUA E SAL

No peito mágoa, água e sal.
Boca vazia aflora a mente.
Oceano censura, rasga a palavra fere não mata o desejo.
Lampejo de dor, gota rasa, joga fora a dor de amar.
Sussurra solidão à maré, um coração feito de papel,
Naufraga em redenção à sorte, perde a fé.
Espuma espessa embala sonhos, é amor outra vez!
Chega e foge aos olhos, adentra o mar.
Carrega consigo sabor da vida.
Renova e inventa o desejo de amar.
Desvela em rima oceano a poesia.
No peito amor, água e sal.
Ellen Ogath